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    AO MEU ANJO...

    Eu faço do amor, uma das coisas mais importantes da minha vida.  Sim...  por detrás desse ser digital inóspito e cheio de segredos, há um cara comum.   Mais de 10.600 dias de existência sobre a Terra.  Mais de 10.600 anotações no Livro dos Dias. 

    Por todo esse tempo, eu me lembro apaixonado.  Sempre.  Apaixonado pela vida ou por algo.  Até que, de uns anos pra cá, apaixonado sempre por alguém. 

    Não houve sequer sombra de igualdade à paixão que vivi parte desse ano.  Um anjo.  Uma deusa.  Por detrás dos olhos verdes, lindos e vívidos, mora uma alma abençoada e apontada pelo Eterno para que faça diferença e aponte com seus exemplos, os caminhos da concórdia, da Paz e do Bem.  Penso, até hoje, se realmente eu merecia viver um amor tão intenso, tão vivo e tão feliz.  Absolutamente, em minha vida, há um ponto, um marco desde aqueles dias de Abril.

    Um amor, uma dor...  O risco que se corre de amar demais é sentir a dor de se estar realmente sozinho.  Todos à sua volta e os olhos ainda procuram por um rosto.  Os braços buscam um só abraço.  A boca quer apenas um beijo.  O corpo tem sede somente de um suor e a alma implora o contato com apenas uma alma.  Tenho anotado no Livro das Horas, a cada minuto, seu nome.  Tenho chamado todas as noites o seu nome e busco seu olhar, incansavelmente, às vistas dos meus.   Mas qual...  Nem sinal de você que se abriga a centenas de quilômetros físicos de mim.  Mas bem aqui no meu coração.  Meu sangue, tenho impressão, que não corre senão pela esperança de ainda te ver.  Poder dizer olhando nos seus olhos que te amo com intenso amor, incomparável às perversões que chamam, adebalde, de amor.  Minha espera é minha vida.  E minha vida, é você.

    Meu anjo, daí de onde estás, vela por meu coração.  Ele sangra muito estando longe de ti.  A dor pesa em meu peito e sei que há de haver algum sentido no passar das minhas horas sem poder te abraçar.  Você está em mim.  Está em tudo.  Não se pode fugir do que há na alma.  Sua alma impressa na minha.  Agora separados.  Não tem mais você no nosso quarto.  Não tem mais sua voz ressoando como doce sinfonia celeste por estas paredes, tão apagadas e sem graça na sua ausência.  Ainda sinto o seu cheiro.  Ainda sinto seu corpo.  O calor, a maciez de sua pele.  Sua voz...  ainda a ouço.  Ainda te procuro na nossa cama.

    Por mais que passe o tempo, ainda estarei aqui.  Eu espero por você, meu anjo.  Pois que anjos são livres para voar pela Casa do Eterno e que voltam, quando bem-amados.  Eu cá, na lida dos homens, ainda aguardo o brilho do seu olhar.  Uma palavra tua, porém, me faz ir até você e declinar à vida morna que levo, tão certa e tão cadenciada, que nada perco.  Também nada ganho.  Só queria você de novo.  Não quero mais nada.  Me é testemunha o Senhor.  Me é testemunha meu olhar.

    Assim te desejando e te amando demais, sigo com o coração lânguido, mas à espera de seu toque.  Morro, se me for assim determinado para te tocar do Alto e viver, sem demora, o amor sem fim que alimento por ti.  Curo-me à sua palavra.  Vivo, se me mandares.  Mas me deixa aqui com essa dor.  Por ora, assim é inexorável.  Eu amo muito você, meu anjo.  Amo e compreendo.  Mas diz aqui pro meu coração te esquecer, e verás a negativa forte de uma alma que se recusa a sorrir sem a tua companhia de novo.  Espero teu calor.  Espero teu toque.  Espero nossos corpos juntos novamente voando pelos Céus em intenso prazer e felicidade.  Assim como foi...   um dia.

    Sei que o provável é que nunca mais isso aconteça.  Mas minha fé, independe da razão.  Me perdoe as palavras que usei pensando em ti, mas é que o seu suor ainda escorre no meu peito.  Contigo, o gesto do amor é perfeito.

    Retiro-me...



    Psycografado por: PsycoReal às 19h30

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