Destemei a minha alma, oh!, bendito do cinturão do centro sul do firmamento.
Assexuai-me, oh!, bendito do fogo da guerra. Descei do avizinhado do sol para visitar-nos e ter conosco com sua espada de fogo. Mira-me nos olhos e inquiri-me por resposta.
Não! O que cá está é engano e desordem. Mentira e vento forte. Purificai-nos a alma, oh!, deusa da tempestade e da fartura. Que a Era que assim nos atravessa seja cortante e direta. Dai a mim a chama da vela e não permita que eu me perca em meu caminho.
Prestai-nos socorro, oh!, prometido de Judá. Limpai-nos a lepra da falsidade e do orgulho.
Levantemos a voz àqueles que nos cercam o caminho. Brademos ao forte senhor do vento leste e empunhemos as espadas de aço e de coragem.
Queima-nos as chagas da cobiça, oh!, guerreiro do fim do mundo. Façamos com que corram os demônios paridos de nosso ventre, filhos nossos, que escondem a estrada com as folhas secas do engano. Que seja a justiça da luta ao bramir de nossos braços feita à luz do alimento, do pão. Que deparemo-nos com o campo da nossa criação, regado a seca e sangue. Seca e sangue! Herdeiros da Era de Aquário, limpai os vossos olhos. O que cá está é engano, é mentira. É feito do dinheiro que compra a morte das crianças e o fim das famílias. Seja o sangue do útero das filhas de Minerva, o nosso arrependimento. Cai a nós agora a noite que sempre esperamos! Por que? - brada o pai - por que chorais por aquilo que chamastes? Criai vossas crias, ou desfazeis delas com medo e com coragem, como feito ao Príncipe do Egito, meio-irmão legítimo do filho do Trono. Levantai as suas vozes em oração tão carregadas de medo, que é sombra que alimenta a sombra. Ouvi, destemidos, o som do trovão. O céu, dantes calado, agora vos responde o chamado. Juntai vossas lágrimas às dele. Respondei à sua voz. Lavai-vos com a tesmpestade que traz caos e transfiguração. Seja a vossa coragem a semente dos vossos ossos que já cá não é percebida. Seja a vossa luta a morte que liberta, a enxurrada que carrega, a seca que racha a terra. Tendes em mãos vossos feitos. Que se ela puderes fechar, pereça e transforma. Que a poeira que sobe que a chuva apaga vos dê visão e não vos cegue. Toca a tua face e sente que a terra seca, tão parecida é com ela. A vida estéril de virtudes vos deu o vento e vos deu o calor. Olha e enxerga, herdeiros dos tempos últimos, que a água que há de descer, com chamas em corisco dos céus, com som forte de trovão, é o embate jubiloso que, ainda que vos custe dor, é enfrentamento da bondade contra a desventura que plantastes em vosso seio.
Dá de comer aos sonhos. Dá de beber à sede da justiça. Sangra e chora aos pés da coragem. Sua na aragem dos feitos da última hora.
Quem sabe, assim, após a tempestade, sabereis o significado da palavra, hoje banalizada, Liberdade. "...herdeiros do fim do mundo, isso não é real. Não... isso não é real. A própria ação das coisas, herdeiros da tempestade, girando em torno do sol. Do sol! Girando em torno do sol..." - Árvore dos Encantados (ou Recado da Ororubá) / Cordel do Fogo Encantado / O Palhaço do circo sem futuro.
Psycografado por:
PsycoReal às 01h35
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